Já diria a minha sábia mãe:“ Você não consegue fazer nada até o fim.” Na primeira vez que ela me disse isso (lembro muito bem o motivo: a gente estava escutando música, e eu passava para a próxima antes da outra terminar – fiz isso com todas) fiquei brava, muito brava, fiz um drama a la Maria do Bairro (“Y a mucha honra, tananã, María la del Barrio soy”), e coisa e tal. E o drama costumava funcionar até bem pra amolecer o coração da criatura que me colocou no mundo (se fazer de coitadinha com mãe uma vez ou outra é booom, essa é a verdade, vamos assumir sem culpa, até porque a recíproca acontece). Mas dessa vez não vi nem um olhar de compaixão pro meu lado. Nada! Ela estava falando sério, e do fundo do coração. Aquela nova informação a meu respeito ficou martelando na cabeça desde então...
Incomodada, e sem dar o braço à torcer, um dia falei com ela: “- Eu não consigo fazer nada até o fim, é? Então me dá um exemplo.” E ela: “-Aula de piano, Kumon, bordar aquela blusa (era o aaaaaaaauge das miçangas coloridas, todas em uma roupa só, e eu usava mesmo, confesso), traduzir o livro pro seu pai, arrumar seu guarda-roupas, o primeiro curso que você entrou na faculdade (“se não aguenta o curso, pra quê se matriculou?”, diria alguém anos mais tarde em uma mensagem subliminar... Ok, entendi o recado, Clau), aprender a andar de bicicleta (mas a rodinha era taaaaaão minha amiga, pra quê tirar, meu Deus?)...” E por aí continuou a interminável lista...
À partir dessa bendita lista com todas as minhas falhas e fracassos na vida, tive que aceitar aquilo como um fato irrefutável, os argumentos dela eram bons (que ela não me ouça, mas sempre são). E foi impossível não começar a reparar esse detalhe em tudo o que eu faço. 90% das coisas que eu começo não chego até o fim. Ou largo pela metade, ou finjo que esqueço (“e quando eu finjo que esqueço, eu não esqueci nadaaa...”), ou esqueço de verdade.
Valendo uma bicicleta rosa, quaaaase sem uso, para quem souber responder : Qual a razão desse comportamento repetitivo? Alguém? Freud? Se ele pudesse responder eu ficaria muito agradecida. Mas pela minha leiga observação, às vezes é por preguiça, sou muito preguiçosa mesmo e ISSO NÃO É PECADOOOO, HAM! Ah não,é pecado sim (“...dos sete pecados capitais, não sei de qual eu gosto mais...”). Outras vezes é por mudar de interesse, outras é por idealizar a coisa e na hora da prática não ser como imaginei, outras por não querer ver o final quando imagino que ele será ruim, etc.
Mas, independente do motivo, o fim é sempre igual: não tem um fim! Fica então um desafio no estilo Hipertensão de mim para mim... Eu poderia estar comendo larvas vivas, eu poderia estar pendurada de cabeça para baixo a 100 metros de altura, eu poderia estar nadando numa água suja para pegar carcaças podres com a boca (credo Globo, que exagero!)... É pior do que tudo isso, estou tentando fazer algo até o fim! Ouviu, Mãe???
Naaassaaa!
ResponderExcluirSalve Humbertinho Gessinger!
"Se depender de mim eu vou até o fim..." e de vc também né, Carol?! Tamo junto, sempre, minha boiza! =)
Curti muito o texxxxto! o/
Noooh...tipo eu!! Tenho mta dificuldade em terminar as coisas e acho que o pior é que eu sempre deixo tuuuuuuuuudo pra última hooora!!
ResponderExcluirMas cê quer saber de uma coisa?! Enquanto a gnt não coloca fim em nada, a vida continua e não acaba!!! E dizem que só termina qnd acaba...se depender da gnt num acaba é nuncaaa!!! hauahuahuahuahahauhaua...Rumo a eternidade!!!
Beijos, the liciaaaas da minha vida!!!
Tipo casar com Wendel?
ResponderExcluirOw tipo ser nossa Thelicianas pra sempre? hauhauhauhau
Preguicinha,q nem a Dessinha hahah